A contemporary mercantilist

Na historiografia econômica a escola mercantilista é uma das primeiras. Desenvolveu-se particularmente entre os séculos XVI e XVIII a passos quase paralelos ao surgimento, consolidação e florescimento do conjunto dos Estados europeus modernos. Portanto não é um erro grotesco dizer que o arcabouço político-econômico da Era Moderna é uma “moeda de duas faces”: de um lado o viés político, o ancien régime; do outro, o econômico, isto é, o pensamento mercantilista.

Comumente chamado de capitalismo comercial, seis características básicas o singularizam, a saber: (1) metalismo; (2) colonialismo; (3) monopólios; (4) balança comercial favorável; (5) protecionismo; e (6) intervencionismo. O economista estadunidense Thomas Sowell, em Basic Economis (p597–601) alerta que “os objetivos dos mercantilistas não eram os mesmo que aqueles dos economistas modernos, uma vez que estavam preocupados em aumentar o poder relativo de seus próprios Estados”.

Segue-se, portanto, que a escola mercantilista deve ser analisada a partir das circunstâncias geopolíticas, sociais e culturais nas quais essa escola de pensamento econômico floresceu. Nesse sentido, não se pode perder de vista que o ambiente político interestatal dos séculos XVI-XVIII tinha como sua concepção de Estado cujo centro do foco é o acumulo de poder em prol de uma elite. Esse acumulo era fruto das seis características mencionadas acima. T. Sowel acrescenta que, para os mercantilista, “nação” não significava toda a população de um país (p.599).

Em suma, os economistas mercantilistas seiscentistas e oitocentistas preocupavam-se em encontrar meios de transferir riqueza (e o encontraram, em resumo, através de políticas comerciais avessas às importações e estimuladoras das exportações). Em contraste, a escola que seguiu-se à mercantilista, a clássica, chamará atenção não à transferência ou ao acumulo da riqueza em si, mas, sim, para a criação dela.

Para Adam Smith, em 1776 com The Wealth of Nations, a dinâmica econômica não era uma interação de soma zero, isto é — a exportação do país A é seu ganho e a perda daquele país que a comprou. Em um mundo dependente e cujos custos relativos de oportunidades são desincentivos àqueles países que creem ainda unicamente no acumulo, a existência de vantagens comparativas e especialização tornam a economia internacional uma dinâmica win-win.

An International Relations degree holder; a language, history and economics aficionado; and a soon-to-be Economist who sees writing a thought-untangling act.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store